6.08.2016

Pais e filhos, Ivan Turguéniev


Título: Pais e filhos | Autor: Ivan Turguéniev
Editora: Relógio D' Água | Ano de publicação: 1862 | Páginas: 256
★★★★½


Cada vez mais tenho apostado em literatura russa pois são, geralmente, leituras profundas e recompensadoras. Contudo, os russos gostam de escrever calhamaços e nem sempre tenho tempo nem paciência para eles. Há uns tempos atrás quando andava a pesquisar literatura russa cruzei-me com este autor do séc. XIX que tem livros relativamente pequenos e conceituados e, por isso, decidi experimentar. Para começar escolhi o que é considerado o seu melhor livro - Pais e filhos.



 Na trama, o jovem Arkádi Nikolaitch, acompanhado de seu amigo e mentor Bazárov, volta à propriedade de sua família após formar-se na universidade. Bazárov é um personagem singular - despreza qualquer autoridade, é anti-social e se autoproclama um 'niilista'. Suas convicções contrastam com os modos aristocráticos da família de Arkádi, provocando um conflito entre gerações.



Este livro foi publicado no início de 1860, numa altura em que a Rússia estava a passar por diversas mudanças, nomeadamente, o fim da servidão dos mujiques (camponeses russos). Aliás, este é um tema que está bastante presente no livro e gostei bastante de como o autor conseguiu retratar a Rússia da altura, com os seus desafios e contrastes. Aprendi bastante com o livro e senti curiosidade em pesquisar mais sobre o período histórico.

Este representa também os conflitos que existem naturalmente entre pais e filhos, bem como, os conflitos e dificuldades de comunicação entre a nova geração liberal de 1840 e a geração da "velha ordem", da Rússia feudal. O livro tem início com o jovem Arkádi que, após completar a sua formação na universidade, volta à propriedade da família e leva consigo um amigo, Bazarov. Bazarov é um niilista (termo popularizado através deste livro), isto é, não reconhece qualquer tipo de autoridade e não aceita nenhum princípio sem provas. Estas ideias vão colidir com os valores conservadores do pai e tio de Arkádi e, pouco a pouco, os conflitos e antagonismo vão evoluindo.


Existem capítulos bastante interessantes com debates bastante provocadores e conflitos interiores que nos aproximam das personagens. Além disso, a escrita de Turguenev é muito boa.

A leitura foi bastante prazeirosa e fluida mas, tenho de confessar, que a personagem de Bazarov me irritou bastante no início do livro. Penso que isto aconteceu porque não me revejo muito seus ideais ou, pelo menos, na maneira como ele os expressava. De qualquer modo, ele é uma personagem bastante interessante e memorável, e gostei de acompanhar o seu percurso ao longo do livro. De facto, Bazarov é uma personagem tão forte que acabou por influenciar imenso os leitores da época e o próprio autor chegou a ser acusado pelas autoridades como incentivador de revoluções e actos de violência que ocorreram, na altura, em São Petersburgo.


Concluindo, este é um livro que recomendo para quem gosta de literatura russa, de livros que nos fazem pensar e que conseguem retratar bem os conflitos de uma determinada época histórica. Vale a pena ver o contraste entre os valores da elite aristocrática e do novo princípio que surgiu na altura.



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2 comentários

  1. Olá Catarina,
    Este ano estreei-me com os autores russos e estou a adorar. Vou anotar esta tua sugestão pois gostei muito da tua opinião.
    Beijinhos

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    1. Obrigada Tita :) Se gostas acho que este vale a pena experimentar. Nunca é uma leitura simples mas é enriquecedora. Bjs

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