The Diary of a teenage girl (2015) & Mustang (2015)

17:03

Hoje venho falar dos dois filmes de Janeiro para o projecto #veja mais mulheres (saiba mais aqui). Para iniciar este projecto resolvi começar por dois filmes que saíram no ano passado e que já queria ver há algum tempo. Ambos são filmes que abordam o que é crescer do ponto de vista de jovens raparigas - as chamadas histórias of coming of age.
Vamos então à minha opinião.


NOTA: 8,0 | Ano: 2015 | País origem: Turquia, França, Alemanha | [IMDB]
No início do verão em um vilarejo turco, Lale e suas 4 irmãs brincam de forma debochada com os meninos, o que acarreta em um escândalo de consequências muito fortes: a casa delas se torna praticamente uma prisão, elas aprendem a limpar ao invés de ir para a escola e seus casamentos começam a ser arranjados. As cinco não deixam de desejar a liberdade, e tentam resistir aos limites que lhes são impostos.
Há quem chame este filme do "As virgens suicidas" da Turquia e sem dúvida que consigo entender os paralelismos. Aqui temos cinco irmãs lindas, alegres e rebeldes que estão numa fase de procura de identidade e descoberta sexual que vai colidir com os valores conservadores da sua família e localidade. 
Tenho visto algumas críticas que dizem que o filme não retrata a actualidade da Turquia e que é fantasioso e tendencioso. Realmente, acredito que este filme não retrate a maioria da sociedade turca mas que tenha o objectivo de ser uma crítica mais abrangente a estas tradições, que continuam a prevalecer em certos locais e que "sufocam" as mulheres e a sua independência. Além disso, não senti que este filme tentasse ser um documentário fiel mas sim uma mistura de verdade e conto de fadas. E é essa qualidade quase onírica em certas passagens que tornam o filme mais marcante e bonito.

   

Adorei a banda sonora, realização e cinematografia bem como a relação entre as irmãs que me soou bastante autêntica. Gostei também da atmosfera de melancolia e injustiça que caracterizam o filme e de este conseguir misturar bem o humor com um tema tão negro.
Há apenas um aspecto do filme, que só me apercebi no final, e que penso que seria desnecessário introduzi-lo pois as mensagens transmitidas teriam à mesma um grande impacto sem esta faceta.


Esta é sem dúvida uma realizadora que quero manter debaixo de olho visto que me conquistou com o seu primeiro filme.


NOTA: 7,3 | Ano: 2015 | País origem: EUA | [IMDB]

Minnie Goetze é uma garota de 15 anos aspirante a artista de histórias em quadrinho, amadurecendo em plena década de 1970 em São Francisco. Insaciavelmente curiosa pelo mundo ao redor dela, Minnie é uma típica jovem adolescente. Exceto pelo fato de dormir com o namorado da mãe dela.

Este é também um filme sobre uma rapariga que se encontra numa fase de descoberta sexual mas numa sociedade e era bastante diferente (loucos anos 70). Antes de mais, é preciso avisar que este filme é sem dúvida para maiores de 18 anos pois possui cenas de sexo e nudez. 
Vamos começar então por abordar essa parte...este filme realmente tem cenas de sexo mas são cenas que fazem todo o sentido no contexto do filme uma vez que vamos acompanhando a evolução sexual da personagem principal que vai estar inevitavelmente associada a uma experiência de crescimento pessoal. Aliás, este é mais do que um filme sobre sexo...é um filme sobre a procura da identidade pessoal e as inseguranças associadas à adolescência. 
Gostei também de ver como a realizadora abordou a relação entre a menor e o adulto...o seu objectivo não é condenar a relação mas sim mostrar-nos o impacto que esta tem na vida e desenvolvimento da Minnie.

    

Acima de tudo, achei este filme divertido, provocador e bastante honesto. Foi refrescante ver um filme abordar com naturalidade e verdade o tema do sexo na adolescência e, ainda mais interessante, por este ter sido abordado do ponto de vista feminino, sem preconceitos.
Uma vez que a personagem quer ser uma artista vamos tendo também ao longo do filme alguns apontamentos artísticos, como os da imagem acima, que são extremamente imaginativos e bonitos.
Para mim o filme pecou só por se tornar um pouco repetitivo e, como tal, um pouco mais aborrecido em certas partes.


Mais uma realizadora a seguir.


Já viram algum destes filmes? Em Fevereiro trago mais dois filmes.



Créditos sinopses: AdoroCinema
Créditos imagens: Tumblr
Esta publicação faz parte do projecto Veja Mais Mulheres, criado pela Cláudia Oliveira.


Sugestões

2 comentários

  1. Quero ver os dois. Sobretudo o Mustang. Agora ainda mais. Nem é cedo nem é tarde!

    O segundo não conhecia. Mas gostei da temática.

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    1. Já vi que o viste entretanto e gostaste :) Boa!
      O segundo é diferente e vale a pena ver por isso

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