1.17.2016

Olhai os lírios do campo, Erico Veríssimo

Título: Olhai os lírios do campo | Autor: Erico Veríssimo
Editora: Livros do Brasil | Ano de publicação: 1938 | Páginas: 283 
★★★


Comprei este livro o ano passado num alfarrabista que me vendeu por 15 euros um conjunto de 5 livros do Erico Veríssimo. Já há algum tempo que tinha vontade de o comprar (na edição do Clube do Autor) e, como tal, não deixei passar a oportunidade. Como os outros livros que adquiri do autor são os pertencentes à saga familiar O Tempo e o Vento resolvi começar por este livro único. Acabou por encaixar na perfeição com o tema da Maratona dos Reis que decorreu no início de Janeiro.

Eugênio Pontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a viver as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, Olhai os Lírios do Campo é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida.

Como já referi anteriormente, este livro foi a minha estreia com Erico Veríssimo e considero que foi uma experiência positiva. Olhai os Lírios do Campo é um livro simples, acessível e fácil de se ler acabando por ser uma boa introdução à escrita e estilo do autor.

Este livro está dividido essencialmente em duas partes (na prática são três). Na primeira parte, vamos conhecendo a vida do nosso protagonista, desde a sua infância pobre até ao momento actual, em que ele é médico e casado com a filha de um aristocrata. A segunda parte tem início com um evento em particular que marca profundamente Eugenio (não vou revelar qual para não dar spoilers) e que o leva a alterar o seu modo de vida, sendo esta uma parte mais introspectiva.

Gostei especialmente da primeira parte, em que existem constantes saltos temporais entre o passado e o presente, que o autor consegue executar bem e de forma fluida e cativante. A história do menino pobre que é criado com muito sacrifício dos pais já não é uma história "nova" mas acho que é bem desenvolvida no livro, apresentando algumas passagens marcantes. A segunda parte para mim não foi tão bem sucedida. As temáticas abordadas continuam a ser as mesmas - ambição, orgulho, religião, humanidade, amor, hipocrisia da sociedade - mas deixam de ser tão subtis. Senti que o autor estava a tornar-se repetitivo e pregando um pouco demais. Isso tornou os capítulos finais mais cansativos e aborrecidos.

Gostei da evolução do Eugenio na história mas a maioria das personagens não me cativou. Destaco, contudo, a Olívia, o interesse romântico da personagem principal. Apesar de não admirar na totalidade a sua devoção religiosa, gostei de ver uma personagem feminina que tem ideais fortes e cuja vida não girou em torno de um homem.


Concluindo, este é um livro com uma mensagem atemporal, que convida à reflexão sobre os valores autênticos da vida, mas que peca por ser, por vezes, demasiado moralista. Foi uma boa introdução ao autor mas espero ser mais arrebatada e surpreendida pela saga O Tempo e o Vento.



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